Eu me perco quando escrevo para me encontrar de novo!

Oi, se você está aqui lendo esse texto pode ter certeza de que ele foi feito para tocar seu coração.

 

Já faz algum tempo que criei esse blog e confesso que não posto diariamente porque fico preocupada com os erros de português, acento e pontuação. Nunca fui uma leitora assídua dessas que tem a escrita perfeita, eu sei que hoje existe o corretor e que a tecnologia esta aí para ajudar, mas sério quando estou escrevendo geralmente é porque estou inspirada e só de pensar no trabalho que é editar e corrigir eu desisto de postar e assim tenho milhares de notes no meu celular.

 

Escrever alivia minha alma, faz eu colocar para fora meus pensamentos e ainda me faz refletir sobre em que fase da minha vida eu estou. Sim a vida é construída por fases e ciclos e a cada dia que passa percebo o quão importante é percebemos em que página estamos.

 

Quando postei pela primeira vez contei um pouco sobre como a maternidade me modificou, e o quanto Jesus mudou minha vida ao ponto de eu não me reconhecer mais, transformou meu casamento e trouxe princípio a família que formamos a partir dessa transformação. Uma hora quero contar aqui para vocês nossa mudança para o seminário, como vivemos durante aqueles anos e quais os caminhos que percorremos até chegar no lugar que nos encontramos hoje. Mais hoje quero falar sobre como imigrar transforma nossa vida, sobre as dores que nos transformam ao meio do caminho e o quanto é difícil você construir uma carreira em um país que não é o seu. Eu vou contar minha experiencia partindo do princípio de que tivemos planejamento zero para chegar aqui, nos mudamos com a cara a coragem e fé muita fé, hoje eu entendo que exercer a fé foi fundamental para que tudo acontecesse, porém confesso que planejamento não deve ser rejeitado. Chegamos na Florida no ano de 2015 com três crianças (9 e 6 anos) nenhum de nós sabia se comunicar em inglês poucas palavras não formavam uma frase se quer, na época eu tinha algo muito estabelecido dentro de mim que era não deixar meus filhos no cuidado de ninguém além do horário da escola, era uma questão de princípio eles estarem comigo quando não estivessem na escola, e devido a isso rejeitei muitas ofertas de trabalho que teria evitado muito aperto financeiro. Mas eu pensava assim, eles estão em um país novo, novo idioma, nova cultura para poderem passar por todas as etapas de adaptação era fundamental eu estar presente na vida deles. Então a primeira coisa que fiz foi colocar um anúncio no jornal e me dispor a ser babá em casa mesmo. Eis que a primeira criança brasileira apareceu afinal eu não falava inglês, alguns meses depois eu já estava cuidando de 3 crianças mais os meus três em um apartamento pequeno e isso não poderia resultar em outra coisa a não ser denuncia, sim fui denunciada por cuidar de crianças onde eu morava, com medo decidi mudar de condomínio e a não cuidar mais de crianças em casa, sem o inglês apareceu para mim a oportunidade de ser ajudante de limpeza de uma pessoa que já trabalhava com limpeza aqui a mais de 20 anos e por algum período eu fiz limpeza com ela, saímos de manhã cedo e voltávamos no horário da escola dos meus meninos, para quem conhece a realidade daqui sabe que essa mulher foi um anjo porque geralmente quando você é ajudante de limpeza o trabalho é em período integral. Ela foi tão boa comigo que as últimas casas que limpávamos eram perto da escola porque se não terminássemos a tempo eu poderia ir buscar os meninos, aí você deve estar pensando como assim limpar casas, você está me dizendo que trabalhou como faxineira? Sim!! E se posso contar um segredo para vocês teve um tempo no brasil que sai para limpar casa com uma amiga da igreja porque eu não queria deixar os meus filhos para outras pessoas cuidarem e a fase financeira não era das melhores. (mas isso e assunto para outra hora) A vida de imigrante com pouco planejamento e pouco dinheiro não é fácil ele precisa agarrar o que tem pela frente por uma questão de sobrevivência. Passado alguns meses trabalhando com essa pessoa conversei com ela e disse que eu queria trabalhar por conta própria ter minhas próprias casas (posso garantir para vocês que isso é quase uma graduação aqui nesse ramo) e aos poucos fomos trabalhando nisso e em menos de 6 meses eu já tinha algumas clientes, limpava uma média de 5 a 6 casas na semana sozinha e voltava para casa no horário dos meninos. Quero deixar claro para vocês que enquanto estou aqui escrevendo isso sinto uma normalidade absurda em contar que trabalhei de faxineira e não sinto vergonha, agora se você me perguntar se eu gostava eu vou deixar bem claro que NAO eu odeio faxinar!!! Quando era adolescente e minha mãe me pedia para fazer algo em casa eu dizia para ela que quando eu crescesse só iria usar descartáveis porque nunca gostei de limpar. Enfim, limpar casa foi meu trabalho aqui por muito tempo, sem o inglês tudo que me pediam eu acabava fazendo porque não sabia argumentar e claro que isso me frustrava eu saia arrasada e pensava eu pareço burra mais não sou, se eu ao menos pudesse expressar o que penso as pessoas iriam perceber, gente sério não poder responder a algo simples é um sentimento horrível então eu colocava áudios em inglês, desenho animado, frases prontas de you tube e ficava escutando enquanto fazia meu trabalho então comecei a dar meus primeiros passos no idioma. Passado o tempo decidimos ir embora dos EUA “nosso” objetivo já tinha sido cumprido e era hora de partir, eu particularmente queria morrer ao invés de ir embora para o Brasil, minha vida sempre foi “difícil” lá e para mim era como andar para trás, mais para o Michel (meu esposo) não para ele era retornar ao proposito de Deus em nossa vida. Só que não satisfeita eu decidi que poderíamos mudar para Portugal ao invés de voltar ao Brasil e foi quando entramos em contato com pessoas que conhecemos no seminário e lá nos aventuramos rumo a Europa, desta vez com um plano mais concreto, dinheiro para recomeçar 3 filhos e 8 malas embarcamos em outubro de 2017 para nossa nova jornada! Portugal é assunto para uma página exclusiva... Então vou resumir, depois de dois meses em Portugal já estávamos todos no Brasil, entulhados dentro da casa da minha cunhada esperando um apartamento emprestado ficar pronto para mudarmos. Está bem! Eu sei, você está lendo e pensando... que tipo de pessoa coloca 3 crianças nessa situação? Que tipo de mãe que prioriza estar com os filhos muda de casa, sem ter uma casa para voltar, que tipo de mãe doa todos os brinquedos do seu filho para se aventurar no mundo?

 

O TIPO QUE ENTENDEU QUE ENTENDEU ESSE TEXTO:

 

“porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la á, e a quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Mateus 16.25

 

A pessoa que um dia viu a transformação da sua casa, da sua família e decidiu acreditar nos sonhos que Deus depositou no seu esposo, ele tinha as ideias eu transformava em realidade, não tínhamos muito e o pouco que tínhamos sempre nos foi o suficiente, entendemos um dia que quem tentar encontrar sua vida nesse mundo perderá mais quem a entregar por amor daquele que deu a vida ira encontrar vida eterna e assim tudo se tornou tão pequeno tão insignificante que a única coisa que tínhamos como objetivo era caminhar mesmo que para isso custasse abrir mão dos nossos desejos. E assim confiando naquele que nos transformou caminhamos sobre a palavra e passamos um ano no Brasil, posso dizer que não foi um ano fácil porem nunca vivemos a facilidade se é que ela existe na vida de alguém, então considero que vivemos o que tínhamos que viver, estava no plano de Deus todo o nosso trajeto, montávamos o roteiro certos de que estávamos sobre a sua palavra mas no fim descobrimos que somente ele tinha o rumo certo da rota, e quando vimos ao piscar de um ano estávamos todos de volta ao EUA, uma coisa intrigante que me marcou muito é que saímos da Florida para Portugal em outubro de 2017., Chegamos no Brasil em 8 de dezembro de 2017 e desembarcamos na Florida em 9 de dezembro de 2018, Deus tinha um plano, um prazo e um rumo para nossa rota. Se você é mãe, expatriada ou pensa em migrar tenha a certeza de que apesar dos desafios tem muitos momentos que valem a pena! Hoje eu contei sobre o desafio do meu primeiro trabalho, e na próxima vez quero contar como que eu iniciei minha carreira como babá sem falar inglês, como estou transacionando da profissão babá para consultora de amamentação, como venço os desafios diários de tentar empreender em um país que não é o meu!

 

Fique por aqui! Voltarei com mais frequência. Beijo!

 

 


Amo essa foto, foi no aeroporto de Porto Alegre, assim que chegamos no Brasil e nessa noite fizemos uma escola de 15 horas ;)

 


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