Já é meia noite... E você ainda está acordada?
Não consegue dormir? Esse texto é para você!
Agora já é meia-noite. Eu tirei uma soneca hoje à tarde e o sono não veio ainda. Estava aqui estudando, e quando terminei "por hoje", pensei: Como está meu blog?
Gente, eu tenho a mente acelerada e meus dias têm sido muito corridos, devido ao trabalho, atendimentos e estudo. Além dessas tarefas, ainda cuido da casa, roupas, comida (quando meu marido não cozinha), e com certeza mais algumas coisas que nem lembro agora.
Percebi que o último texto foi há quase um ano, e muita coisa aconteceu de lá pra cá. Mas vou continuar contando como é chegar nos Estados Unidos sem inglês, sem profissão, e precisando complementar a renda familiar.
Após nossa volta para os Estados Unidos, eu voltei a trabalhar com a mesma pessoa que me abriu as portas antes de partirmos. Mas dessa vez eu estava com sangue nos olhos. Queria trabalhar e recuperar o tempo "perdido" no Brasil. Iniciei com ela assim que cheguei e consegui algumas casas novas para montar novamente meu schedule.
Pois bem, eu estava lá trabalhando, limpando casas, mas dentro do meu coração aquilo não estava confortável. Da primeira vez que moramos aqui, isso não era um problema, porque existiam muitas outras coisas que eu queria aprender, e a prioridade era trabalhar conciliando o horário dos meus meninos.
Mas dessa vez era diferente. Eu estava lá fazendo e pensando que não poderia ficar muito tempo ali, faxinando. (Não é indigno, gente, é porque eu odeio faxina mesmo.)
Nesse meio tempo, enquanto trabalhava, fazia uns bicos de babá para brasileiros, até que um dia uma amiga me ligou perguntando como estava meu inglês e se eu tinha interesse em ser babá de um recém-nascido, porque ela, como doula, estava com essa família temporariamente.
Pois bem, fui sincera sobre meu inglês (que não existia), e ela me colocou em contato com a família. Agora, escrevendo para vocês, não sei ao certo de onde veio essa coragem. Eu pensava: Sou mãe, cuidar de um bebê não pode ser tão difícil.
Eu dei sorte. Ou Deus estava lá por mim e por essa criança. Essa mãe precisava muito de alguém para cuidar do filho dela, porque por motivos que não cabem aqui, ele passava 12 horas do dia comigo. Depois, 15. Depois, 24. Sim, eu fui babá-mãe. Mas sempre sabendo que a responsabilidade era de babá.
Por mais que a gente se apegue à criança, e a separação seja difícil, eu sempre prezei por seguir as regras e direções da mãe em relação a ela.
E foi nesse momento que começou um novo desafio na minha vida. Meu inglês era péssimo e eu não tinha nenhum vocabulário relacionado a crianças. Nem “mamadeira” eu sabia o nome, pra vocês terem uma ideia.
Pois bem, dois anos se passaram. Ele cresceu, foi para o daycare, e eu precisava me reinventar na questão do trabalho.
Iniciei um novo processo, passei por várias famílias como babá. Tive sucesso em todas porque as mães gostavam de mim. Mas meu coração não estava mais ali. Ser babá é exaustivo. Não é porque você é mãe e sabe algumas coisas sobre filhos que pode aplicar tudo na família onde trabalha. A babá, para ser vista como profissional, precisa respeitar a regra e rotina da família, mesmo que isso vá contra o seu jeito e sua mania de ver as coisas.
Por exemplo: se a criança que chega da escola precisa tomar banho às 2 da tarde, e você acha que o ideal seria antes de dormir, não cabe a você opinar no horário do banho. A família tem sua rotina. Se você quer oferecer arroz e feijão e a família dá mac & cheese, não compete a você mudar. Claro que uma sugestão sobre alimentação saudável cabe, mas não a escolha da alimentação.
Outra coisa: culturalmente temos um choque, porque muita coisa na educação americana é diferente, e a única coisa que você pode fazer é aceitar. Eles têm muitas coisas boas, mas algumas que não fazem o menor sentido para um brasileiro — como tomar banho uma vez na semana. E sua função como babá é aceitar.
O Caminho Continua...
Continuei como babá por algum tempo e, até hoje, ainda faço alguns trabalhos temporários. Mas preciso confessar: foi no meio desse turbilhão que tomei uma decisão importante — voltar a estudar.
Comecei com um curso online de Pedagogia e, após um ano, percebi que meu coração também não estava mais ali. Foi então, numa conversa com uma amiga do Brasil, que tudo começou a mudar de novo. Estávamos falando sobre amamentação — um assunto que, inclusive, outra amiga, aquela doula que me indicou para o trabalho como babá, já havia mencionado tempos atrás, mas que, naquele momento, passou batido por mim.
Dessa vez, a conversa me tocou de verdade. Essa amiga do Brasil me indicou um curso de capacitação online em amamentação, e eu acabei me inscrevendo. E, de lá pra cá, nunca mais parei.
O primeiro curso que fiz foi o Medela University. Meu inglês já estava um pouco melhor, o que me ajudou bastante. Mas o que realmente despertou em mim o desejo de atender famílias nas suas dificuldades com amamentação foi a capacitação feita no Brasil. Ali, eu entendi que era esse o caminho. Que esse era o meu lugar.
Gente... o sono chegou, volto qualquer dia aqui, para detalhar minha jornada na amamentação...Observação: esse texto já tem mais de 6 meses da data que foi postado. Afinal a correria continua...
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